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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Entenda como agem os espíritos enganadores

Cuidado com os bolos, doces e balas oferecidos às crianças

Por bispo Edir Macedo / Fotos: Thinkstock

  

A figura de Balaão aparece na história do povo de Israel quando este atravessava o deserto, vindo do Egito, em direção à Terra Prometida. O povo de Israel se acampou nas Campinas de Moabe, além do Jordão, na altura de Jericó. Balaque, rei dos moabitas, teve medo do povo de Deus e pediu que Balaão viesse ter com ele, para amaldiçoar Israel, em troca de ouro e prata. Mas Balaão, por ordem de Deus, foi obrigado a abençoar a Israel, e o fez por três vezes consecutivas.
Mas, provavelmente para não perder a oportunidade de ganhar de Balaque algum ouro, Balaão o aconselhou sobre como deveria fazer para destruir o povo de Israel: enviar suas mulheres para o meio dos filhos de Israel e, por meio delas, perverter o coração deles contra Deus e, assim, enfraquecê-los. Porque Balaão sabia que, uma vez o povo estando em pecado, a sua fé daria lugar às dúvidas e, então, enfraquecido espiritualmente, o povo seria facilmente derrotado diante dos seus inimigos.
A crítica ao anjo da Igreja de Pérgamo se deve ao fato de que lá havia alguns mestres que sustentavam a doutrina de Balaão, ou seja, aconselhavam os cristãos a comerem coisas sacrificadas aos ídolos e a praticarem a prostituição, ou os mesmos vícios sexuais do culto pagão. Naturalmente isso agradava àqueles que faziam parte do corpo de membros da Igreja, mas não do corpo do Senhor Jesus Cristo. Eram o joio no meio do trigo, mensageiros de Satanás, convencidos até a alma, porém nunca convertidos ao Senhor. São mais perigosos que aqueles que publicamente se manifestam como inimigos da cruz do Senhor. Muitos deles são tolerados e até mesmo honrados em muitas denominações, só porque participam nas ofertas com quantias generosas. Desgraçadamente são estes os que têm amarrado a Obra do Senhor neste mundo e que, além de não entrarem no Reino de Deus, procuram barrar aqueles que querem entrar. O profeta Asafe orou:"Ó Deus, as nações invadiram a tua herança, profanaram o teu santo templo, reduziram Jerusalém a um montão de ruínas." Salmos 79.1
Essas nações podem simbolizar os espíritos imundos e enganadores que têm usado alguns mestres de dentro das Igrejas para procurar contaminar toda a congregação com toda sorte de doutrinas falsas. Por isso, é muito importante que todo e qualquer cristão confira com a Bíblia todos os ensinamentos recebidos, de quem quer que seja, pois a única forma de nos mantermos imunes aos enganos doutrinários, inspirados pelos espíritos enganadores, é estarmos sempre atualizados na Palavra de Deus.
Cuidado com o que você come
Quase todos os países do mundo têm estimulado a prática de comer coisas sacrificadas aos ídolos. Os nomes e as figuras dos “santos” variam, mas a prática é a mesma. A obediência é ao mesmo diabo, e a desobediência é ao Único Deus Vivo e Verdadeiro.
No Brasil, por exemplo, temos várias festas católicas que estimulam esse hábito. No dia 27 de setembro é comemorado "Cosme, Damião e Doum". Nesse dia, é costume dos católicos se mesclarem com os adeptos de outras religiões, inclusive da umbanda, quimbanda e candomblé, e, juntos, oferecerem bolos, doces e balas para todas as crianças da vizinhança em homenagem àqueles "santos" da Igreja Católica.
Não obstante à morte de milhares de crianças, devido a atropelamentos e acidentes, além de muitas "doenças inexplicáveis" acometerem tanta gente nesse dia, especialmente crianças inocentes, essa prática permanece inalterável e nenhuma autoridade toma qualquer providência. Nem a própria Igreja Católica e, muito menos, o Estado. Também no mês de junho temos as festas católicas juninas, quando são homenageados "São Pedro", "Santo Antônio" e "São João". Da mesma forma como nos dias desses também são oferecidas comidas, só que abrangem também os adultos.
Texto extraído do livro ''Estudo do Apocalipse'', do Bispo Edir Macedo.


domingo, 4 de janeiro de 2015

Tabernáculos, a Arca e o desejo de Davi construir o Templo

 Enquanto o povo de Israel vagava pelo deserto depois de ter saído da escravidão no Egito rumo à Terra Prometida, Deus orientou ao líder Moisés a construção de um santuário que os acompanhasse, detalhe por detalhe.

Por 40 anos, o povo de Israel vagou pelo deserto rumo à Terra Prometida após ser libertado da escravidão no Egito. Nesse período, o povo nômade tinha regras, uma estrutura organizada, tanto quando estavam em movimento como quando estavam acampados.

Moisés, líder espiritual de seu povo, armava uma tenda especial para adoração a Deus fora do acampamento principal, e todos iam ter com ele para buscar ao Senhor. Na pequena cabana de tecido, Deus descia em forma de coluna de nuvem para falar com Moisés. Quando este subiu ao monte Sinai para receber as tábuas com os Dez Mandamentos, recebeu também de Deus as instruções para a construção do Tabernáculo, com regras expressas não só de sua confecção, mas também na forma como seria armado, a estrutura à sua volta e como seria transportado pelo povo nômade. Era uma espécie de templo itinerante feito de tecidos variados, tapeçaria, madeiras nobres e artefatos preciosos, armado no centro do acampamento.
O Tabernáculo era um centro de adoração, um lugar onde o povo poderia focalizar a presença do Senhor. Dessa forma, a pequena barraca fora do acampamento deu lugar a um complexo sagrado no meio das moradias improvisadas no deserto.
Deus descreveu a Moisés os detalhes da construção, inclusive quanto à quantidade e tipos – até mesmo cores – de materiais, que o povo ofertou. Eram tecidos raros de grande beleza, pedras e metais preciosos e, em sua maioria, materiais facilmente encontrados no deserto, como madeiras nativas de grande resistência e peles de animais locais – de criação ou silvestres. Até mesmo o figurino dos sacerdotes e demais trabalhadores foi orientado pelo Senhor, assim como os artefatos e a mobília.
“Então falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, que me tragam uma oferta alçada; de todo o homem cujo coração se mover voluntariamente, dele tomareis a minha oferta alçada. E esta é a oferta alçada que recebereis deles: ouro, e prata, e cobre, E azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino, e pelos de cabras, E peles de carneiros tintas de vermelho, e peles de texugos, e madeira de acácia, Azeite para a luz, especiarias para o óleo da unção, e especiarias para o incenso, Pedras de ônix, e pedras de engaste para o éfode e para o peitoral. E me farão um santuário, e habitarei no meio deles. Conforme a tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo, e para modelo de todos os seus pertences, assim mesmo o fareis.” Êxodo 25: 1-9
Embora um leitor da Bíblia completamente leigo tenha a tendência de localizar Jesus Cristo somente no que diz respeito ao Novo Testamento, o Messias já está previsto desde o início do Antigo Testamento. O próprio tabernáculo acaba sendo uma alusão clara a ele e à forma de contato do homem com Deus. Se pegarmos um desenho, uma “planta baixa” da tenda, vemos que os artefatos estão dispostos em forma de cruz, tendo acima dela a presença de Deus (na Arca da Aliança).
O Tabernáculo devia sempre ser erguido com sua entrada voltada para o oriente. Era uma grande tenda, como um grandegalpão, chamado de Santo Lugar. Dentro dele, o  Santo dos Santos era uma pequena divisão reservada somente ao sumo sacerdote, onde ele falaria pessoalmente com Deus, protegido por um véu, cuja entrada estaria virada para o ocidente. Nele ficaria a Arca da Aliança, contendo as tábuas dos Dez Mandamentos dadas a Moisés (uma cópia lavrada por ele mesmo), um pouco de maná (alimento mandado por Deus dos céus para o povo no deserto) e a vara de Arão que florescera (Números 17. 6-9).
Conforme dita o livro de Êxodo em seu capítulo 25, nos versículos 10 a 22, Deus orientou a Moisés sobre a confecção da Arca da Aliança. O Propiciatório, que ficava em cima da Arca como se fosse sua tampa, trazia dois querubins de ouro voltados um para o outro, entre os quais Deus falaria a Moisés acerca de tudo o que ordenasse para seu povo. Assim como a Arca, o Senhor detalhou sobre o mobiliário do Tabernáculo e peças importantes como o Menorá, grande candelabro de ouro com sete luminárias a óleo que iluminaria o Santo dos Santos, que não tinha qualquer janela ou outra fenda por onde entrasse a luz, em que somente o sumo sacerdote entrava.
Graus de intimidade
Para o professor, teólogo e arqueólogo Rodrigo Silva, do Museu de Arqueologia Bíblica Paulo Bork, no município paulista de Engenheiro Coelho, a disposição física do Tabernáculo mostra os “graus de intimidade” do homem com Deus. Rodrigo também compartilha da opinião de que o próprio Jesus Cristo estava presente em todas as representações do templo itinerante.
Pátio Externo - Um aspecto interessante é que o Tabernáculo tinha apenas um lugar para entrada e saída, o portão principal voltado sempre para o leste, que dava acesso ao pátio externo. Assim como mostra a Bíblia, o próprio Jesus afirma:
“Eu sou a porta; quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá, e encontrará pastagem.” João 10. 9
No pátio externo, totalmente descoberto, todos podiam entrar. A primeira estrutura encontrada era o altar de sacrifícios. Quando os animais oferecidos eram queimados, o ato simbolizava a expiação dos pecados. Morriam ali o pecado  e as vontades meramente humanas, para renascer um homem puro. A fumaça que se desprendia do sacrifício subia aos céus:
“Depois queime o cordeiro inteiro sobre o altar; é holocausto dedicado ao Senhor; é oferta de aroma agradável dedicada ao Senhor, preparada no fogo.”Êxodo 29. 18
Logo depois, a pia em que os sacerdotes se lavavam após os sacrifícios e antes de entrar no Lugar Santo. Com forte simbolismo de purificação, nela eram lavados os pecados, publicamente.
Partindo da relação do grau de intimidade com Deus, citada por Rodrigo Silva, o pátio é o primeiro passo, uma experiência fundamental, sem a qual o homem não pode começar um relacionamento verdadeiro com o Senhor.
Lugar Santo – Logo depois da pia, havia a abertura para a tenda propriamente dita: a entrada do Santo Lugar. Somente os sacerdotes podiam entrar nele. Ali, os três artefatos de mobília eram de ouro puro, ou de madeira nobre adornada com o metal dourado. O ouro, para a cultura judaica, simboliza não somente a riqueza que primeiramente se percebe, mas também o caráter da eternidade de Deus, pela durabilidade do raro elemento mineral.
À direita de quem entrasse, a Mesa de Pães. Nela, doze discos de pão ázimo (sem fermento, pois o mesmo simbolizava o pecado para os judeus) eram colocados em duas pilhas de seis. Simbolizavam que Deus não deixaria de prover o alimento para as doze tribos de Israel, mas também a própria Palavra de Deus, por meio da qual Ele alimenta nosso espírito. Mais tarde, Jesus faria  referência dele mesmo como o “Pão da Vida”.
Do lado oposto à mesa, o Menorá, grande candelabro de ouro com sete luminárias a óleo, utilizado até hoje pelos judeus tanto em grandes formatos quanto pequenos, com velas. Tinha a função de representar a presença de Deus, a luz da própria vida nEle, assim como iluminava o Santo Lugar, que não tinha janelas ou outra abertura por onde entrasse claridade. Os próprios sacerdotes eram os únicos que abasteciam o Menorá de óleo, mantendo-o sempre aceso.
Logo depois do Menorá e da Mesa de Pães estava o Altar de Incenso, no meio, de frente para a porta do Santo Lugar. Nele os sacerdotes oravam a Deus e acendiam os incensos, simbolizando as súplicas e orações que subiam aos céus, a Deus. Este contato mais próximo é um degrau a mais na intimidade com Deus, em que os sacerdotes levavam as súplicas dos fiéis ao Pai.
Santo dos Santos – O cerne de todo o Tabernáculo era o lugar no qual somente o sumo-sacerdote podia entrar, para um contato direto com Deus. Com a entrada protegida pelo véu, o líder dos sacerdotes conversava com o Senhor, depois passando a seus subordinados o assunto.
No claustro do Santo dos Santos estava encerrada a Arca da Aliança, objeto sagrado somente tocado pelos sacerdotes. Em seu interior, as tábuas dos Dez Mandamentos que Moisés lavrara orientado por Deus (a Palavra Divina), um bocado do maná que foi dado como alimento ao povo no deserto pela primeira vez (a provisão que nunca faltava) e a vara de Arão que florescera (o reconhecimento de Deus da autoridade conferida a alguém, comprovando que é a vontade dEle).
Sobre a Arca, o Propiciatório, grande prancha posicionada como a tampa do baú, com duas imagens de querubins voltadas uma para a outra com as asas esticadas, entre os quais Deus se posicionava para falar ao sacerdote.
“O véu não tinha uma função de bloqueio entre o homem e Deus”, diz Rodrigo Silva. Era uma forma de proteger o homem do contato mais próximo, que o ser humano ainda não tinha capacidade para entender. “Não era Deus se ocultando, como se brincasse de esconde-esconde. Era um jeito de Ele se revelar ao homem sem o destruir com Sua glória, que olhos humanos não têm a capacidade para enxergar. Era mais como um filtro, e não como uma barreira. Mas tal obstáculo se desfez com a vinda de Cristo e seu sacrifício por nós. Por isso falalamos que ‘o véu se rasgou’ e agora o homem não depende de sacerdotes para ter o contato direto com Deus”, explica o arqueólogo.
A doutrina do santuário
A palavra Tabernáculo, em sua origem, quer dizer morada, habitação. Deus habitando entre os homens.
Antes, erguiam-se altares para sacrifício e oração, que eram deixados e reerguidos na próxima parada do povo nômade de Israel. O Tabernáculo é a primeira referência de um santuário propriamente dito após o próprio Éden, quando o homem tinha contato direto com o Senhor, mas o perdeu pela desobediência.
O Tabernáculo já era um princípío da reconciliação entre o Senhor e o homem, mais tarde corroborada por Cristo. Rodrigo Silva resume bem tudo o que foi explicado até agora sobre o Tabernáculo. “A Palavra diz que Jesus veio ‘tabernacular’ entre oshomens; era Deus habitando entre nós em carne. Toda a conformação do santuário itinerante em forma de tenda tinha elementos que antecipavam a vinda de Cristo em todos os seus significados, além da evidente forma de cruz em que os móveis e artefatos eram dispostos quando vistos de cima. Se uma pessoa entende a doutrina do santuário, a forma como ele era feito e como funcionava, é capaz de entender o sentido de toda a Bíblia, de Gênesis ao Apocalipse. Parece complicado quando se olha o todo, mas essa simples relação revela o que Deus quer do homem e o que tem reservado para ele.”
O desejo de Davi
Desde o Egito até a Terra Prometida, o povo de Israel vagou pelo deserto acampando em torno de seu santuário portátil. O Tabernáculo era montado e, ao redor dele, as tribos eram dispostas em acampamento.
Quando Israel já tinha o seu lugar fixo, suas cidades propriamente ditas, em Jerusalém o então monarca ungido por Deus, Davi, nutriu em seu coração o desejo de construir um grande templo, um magnífico edifício para o que ele achava ser a morada de Deus entre seu povo.
Como Davi era em sua essência um guerreiro, portanto já tendo matado milhares em combate por seu povo, Deus não permitiu que ele construísse o tão almejado templo. Mas, atendendo aos insistentes desejos do coração do rei, o Senhor lhe disse que ele próprio não construiria, mas seu filho e sucessor no trono. No entanto, permitiu que Davi começasse a armazenar material para a futura edificação, tranquilizando o monarca. De fato, Salomão, filho de Davi, foi o realizador da obra que até hoje é reverenciada pelo povo judeu, mesmo após ter sido destruída.
O Tabernáculo nasceu diretamente da vontade de Deus, conforme orientado a Moisés. “Muitos acham que Moisés inovou, chamado por Deus para construir o Tabernáculo e elaborar costumes para a adoração”, alega Rodrigo Silva, “mas na verdade Deus usou o líder que orientava o povo de Israel pelo deserto para recuperar uma tradição que corria o risco de cair, de sumir, fazendo com que o santuário fosse construído e mostrasse a todo momento a presença dEle”, explica o especialista. Já o templo, segundo o professor, partiu da vontade de Davi, uma intenção do coração do rei, que Deus autorizou, atendendo o pedido de seu ungido, mesmo que um dia viesse a ser construído por seu sucessor.
“Quando Hirão, rei de Tiro, soube que Salomão tinha sido ungido rei, mandou seus conselheiros a Salomão, pois sempre tinha sido amigo leal de Davi. Salomão enviou esta mensagem a Hirão: ‘Tu bem sabes que foi por causa das guerras travadas de todos os lados contra meu pai Davi que ele não pôde construir um templo em honra do nome do Senhor, o seu Deus, até que o Senhor pusesse os seus inimigos debaixo dos seus pés. Mas agora o Senhor, o meu Deus, concedeu-me paz em todas as fronteiras, e não tenho que enfrentar nem inimigos nem calamidades. Pretendo, por isso, construir um templo em honra do nome do Senhor, do meu Deus, conforme o Senhor disse a meu pai Davi: ‘O seu filho, a quem colocarei no trono em seu lugar, construirá o templo em honra do meu nome’.” 
                                                             I Reis 1. 1-5

sábado, 3 de janeiro de 2015

A Destruição do Segundo Templo

Descubra porque o Segundo Templo foi destruído e quais foram as crises surgidas no meio judaico

Bispo Edir Macedo

O Império Romano ocupou Israel no ano de 63 a.C. Procuradores romanos governavam a terra ocupada e cobravam pesados impostos em nome do Império. Havia uma meta de tributos a ser preenchida e o que excedesse isso ficava em poder dos procuradores, que enriqueciam a olhos vistos. Além disso, a todo momento eram inventados novos impostos somente para que os governantes arrecadassem mais para seus próprios bolsos.
O fator financeiro deixava os judeus obviamente descontentes, mas havia mais. O sumo-sacerdote, autoridade religiosa máxima entre o povo, passou a ser escolhido por Roma. Era conhecido o fato de que o Império favorecia apenas quem colaborasse com ele, e isso deixava ressabiados os judeus, já que, segundo a tradição, o sumo-sacerdote deveria ser o homem mais puro entre todos.
No período próximo ao nascimento de Jesus, levantou-se secretamente em meio ao povo judeu um grupo de rebeldes, os Zelotes. Era um grupo de resistência ao Império que tinha como meta expulsar os romanos de Israel utilizando-se de todos os meios possíveis, inclusive a violência.
O imperador que se achava deus
Eis que entra o reinado de Calígula, polêmico governante romano notoriamente psicótico, a quem todos temiam dentro e fora dos limites do Império. Se antes o domínio romano era ruim para os israelitas, com Calígula tudo piorou. No ano de 39, o imperador promulgou um decreto em que alegava ser um deus e que deveria ser adorado como tal. Ordenou que sua estátua fosse colocada em todos os templos de qualquer lugar que pertencesse ao Império Romano. De todos eles, somente o povo judeu se negou a essa idolatria, recusando-se a profanar o templo com uma estátua de um falso deus.
Calígula, em um de seus famosos acessos de loucura, ameaçou destruir o templo dos judeus caso não fosse respeitada sua exigência da estátua nele. Israel chegou a mandar uma delegação até ele para tentar apaziguar o déspota, mas não logrou êxito. O imperador ameaçou exterminar os judeus, caso não o obedecessem, mas faleceu antes que pudesse cumprir a ameaça.
Mas a morte de Calígula não arrefeceu tanto os ânimos como muitos esperavam. Até a porção moderada do povo temia que o novo imperador fosse igual ou pior que seu antecessor. Também se fortaleceram, sobretudo os Zelotes, com a crença de que a morte repentina do ditador foi obra de Deus, pois este estaria ao lado dos judeus em qualquer batalha contra outros povos.
A insurreição
A ausência de Calígula não diminuiu os abusos que os procuradores romanos promoviam contra os judeus. Chegavam ao ponto de queimar rolos da Torá, o livro sagrado de Israel, dentro do próprio templo.
No ano de 70, quando governados pelo imperador Tito, os romanos romperam as muralhas de Jerusalém. Muitos atribuem a Deus a permissão da invasão por causa dos muitos atos de imoralidade, atentados contra a vida e idolatria dos judeus.
O povo judeu foi massacrado pelo poderio militar romano, Jerusalém foi destruída, o mesmo acontecendo com o segundo templo, saqueado e demolido. Ainda hoje, em Roma, nas ruínas dos Arcos de Tito, estão esculturas em relevo mostrando soldados romanos saqueando e destruindo o templo, carregando com eles uma menorá, o candelabro sagrado de sete lâmpadas.
Pior ainda: os judeus foram exilados de sua terra, expulsos de Israel. Calcula-se que mais de um milhão de judeus tenham sido mortos na que ficou conhecida como a Grande Revolta contra o poderio romano. Começou a Diáspora, espalhando o povo judeu pelo mundo. Só tiveram novamente sua terra de volta em 1948, ano em que a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a criação do Estado de Israel, com um voto decisivo do presidente da Assembleia Geral do órgão, o brasileiro Oswaldo Aranha.
No exílio
Desde a expulsão de Jerusalém por Tito até 1948, os judeus exilados espalharam-se pelo mundo. Historiadores defendem que, quando isso acontece, em cerca de seis gerações a cultura de um povo se perde por completo, extinguindo toda uma história. O povo judeu conseguiu manter sua cultura, mesmo disperso por muitos países planeta afora.
Mas mesmo hoje, com os judeus de volta a Jerusalém, o terceiro templo não foi construído. Onde ficava o segundo, está um complexo muçulmano com uma mesquita, lugar ao qual os judeus não têm permissão de acesso.
Um grande número de judeus sonha com a construção do terceiro templo, e este só será erguido quando os ensinamentos da Torá e a harmonia entre o povo forem efetivos. Há uma entidade não governamental chamada Instituto do Templo que já está construindo artefatos e acessórios como descritos na Bíblia, crendo que o terceiro templo será construído ainda nesta geração.
Há uma tradição entre eles de uma crença de que o novo Messias (eles não acreditam que Jesus o tenha sido) será o construtor do novo templo. Ainda hoje, três vezes ao dia, judeus do mundo todo fazem a oração “Shemona Esré”, em que um trecho diz: “Que seja Tua vontade, Senhor nosso Deus e Deus de nossos antepassados, que o Templo Sagrado seja reconstruído rapidamente em nossos dias.”
Informações sobre a construção do Templo de Salomão:www.otemplodesalomao.com